Eras perdidas, dores constantes (Excerto - Capitulo 3)

10 de dezembro de 2017 |

Sua mente começava, aos poucos, a ficar mais leve e a receber de forma inexplicável várias memórias, não eram memórias dela, nem memórias de mais ninguém, e nem mesmo memórias eram ou pareciam ser, mas sim, visões, visões estas que, cheias de clareza e perfeição, transmitiam alguma informação figurada que a mordoma, simplesmente e misteriosamente, conseguia receber e decifrar com facilidade. Ninguém sabe ao certo se tal era magia ou bruxedo, alguma habilidade estranha e natural, mas Iara apenas conseguia, apenas conseguia fazer tal, e assim, durante muito tempo, permaneceu ali, meditando sobre as palavras enigmáticas de figuras desconhecidas de um certo tempo que ainda não fora revelado.

***
Morte, guerra, gritos de desespero, o som de armas violentamente embatendo entre si, grandes guerreiros num enorme campo de batalha brigando em nome dos incógnitos interesses da pecadora glória. Por entre as poeiras negras levantadas sobre tais terras imprudentes, uma figura negra segurava um cajado, erguido ao ar, brilhando á medida que criava uma enorme escuridão que dominava toda a área. Em todos os lados do conflito, uma chuva negra de sofrimento e esquecimento cobria tais homens e mulheres lutadoras que logo se transformavam em monstros horripilantes, sem vida, sem compaixão, sem futuro…

E tal figura, apenas sorria, um sorriso longo e macabro sem qualquer sentimento explícito além do prazer e da ânsia por sangue fresco, porém, tal pessoa era familiar, muito familiar, alguém cujo corpo distorcido e cujos cabelos negros demonstravam vontade de destruição por mera vingança e ódio por algo que ocorrera durante o seu macabro passado…

***

Ela abria os olhos, repentinamente, colocava logo as suas mãos ao peito, parecia estar a sentir uma profunda dor sobre o seu coração, encontrava-se com imensas dificuldades na respiração, um aperto angustiante nos polmões. Acabou por cair do sofá e assim ajoelhou-se sobre o chão frio e sujo daquela divisão negra e imunda, pareceu inquietada. Tentava acalmar-se, com uma respiração acelerada, inspirando e expirando inúmeras vezes pela boca, algumas lágrimas caíram dos seus olhos e de facto esta parecia bem desesperada naqueles pequenos segundos que para ela foram bastante longos e angustiantes.
Acabou encostando a cabeça para trás, assente sobre uma certa parte do sofá, já mais calma, na tentativa de sentir-se mais confortável em tal posição bem peculiar sobre o solo, encarava o tecto e inúmeros objectos e móveis aleatórios dos seus aposentos, demonstrando ainda estar desorientada devido a tais visões e revelações, apesar de encontra-se já sem tais dores misteriosas, depois virou lentamente a sua face para o lado, observando de relance a fotografia daquela magnifica criança que encontrava-se precisamente sobre o assento de tal móvel.

- Não… Outra vez não… - Ela dizia enquanto continuava na tentativa de recuperar o seu folego, sua voz no momento demonstrava uma profunda angustia á medida que observava aquela fotografia antiga, e ainda mais lágrimas saiam dos seus olhos – Não… Não pode… Não pode ser…

Aquele fora realmente um momento bem difícil para esta, quando já estava realmente aliviada, acabou por levantar-se, deitando-se em cima daquele sofá rasgado e sujo, segurou a fotografia em suas mãos com bastante ternura, novamente acariciou-a, beijou os vidros quebrados da moldura e a imagem de tal menina com bastante cuidado e amor bem explícitos em tais gestos, e por fim fechou os olhos, apoiou tal fotografia ao seu peito, abraçando assim a mesma á medida que descansava e recuperava toda a sua energia gasta devido aquela estranha habilidade de criação de visões cansativas e misteriosas de um tempo incógnito.
Pareceu murmurar algo para si própria, como se uma melodia se trata-se, palavras frias e tristes quase silenciosas e pouco explícitas, eram vindas do fundo do seu gélido e aterrorizado coração.

Eras perdidas, dores constantes
E minhas oposições, irrelevantes…
Profundo sofrimento, eternamente a pesar…
Tal e qual é o desejo, de te lamentar…

Presa e torturada… Por um passado a inquietar…
Aqui dentro fechada… Eternamente a pensar…

Uma construção, os meus erros…
Constantemente a cair…
Silenciosos meus gritos… 
Sigilo a esconder…
Tudo o que construi, a estremecer…

Tristeza, desgraça, para onde quer que eu vá…
Memórias apagadas, tempestades constantes… 
Tudo o que eu sinto, o tempo sempre trará!
Recordações abandonadas, dilemas extravagantes…
Além da tristeza e desgraça, para onde quer que eu vá…

Será que… Sou eu, apenas eu… Constantemente a delirar?...
Será que tudo isto… Profunda dor pelo passado…
Meu desespero ou esperança, a disparatar?...
Ou será que sou eu?... Constantemente a delirar?...




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Capitulo 1 - Um Conto da Lua Cheia

8 de dezembro de 2017 |


Uma fortaleza antiga realçava-se sobre um supremo monte rodeada por uma longa e alta muralha que protegia uma vegetação intensa e jardins bem trabalhados, com inúmeras estátuas e fontes de água, pertencentes aquele edifício ancestral. Entre essas plantas vários pirilampos reluziam tal como as inúmeras estrelas no céu daquela noite e aves diurnas sobrevoavam a área, cantando suas doces melodias de verão á luz da lua cheia.
Aquele era o palácio real, tão sublime como sempre, suas fachadas, suas torres, suas entradas, seus corredores, seus jardins… Dotados de uma beleza e cores inexplicável, um local bem seguro, de difícil acesso sobre um grande monte rodeado por uma suprema muralha de alta segurança, aquele era, é e sempre será o lar dos grandes Monarcas de Dreamian, o lar dos grandes governadores, o lar da mais importante família do reino!

Poderosos guerreiros acompanhados de suas montarias rondavam a área durante todo o dia e toda a noite, serviam e davam toda a sua vida em nome da família real que ali habitava, faziam as suas vigílias de modo dedicado, vagueavam calmamente de um lado para outro entre as árvores e plantes floridas, rondavam a muralha e suas torres, ou faziam patrulhas nos pátios e caminhos de pedra exteriores do palácio, bem armados e sérios, em silêncio, em busca de inimigos, usando a luz de poderosas lanternas para combater a escuridão intensa.
O silêncio era comum, sendo apenas quebrado por pequenas e doces melodias de aves nocturnas e o barulho suave dos ramos e folhas das árvores e plantas em movimento sempre que pequenas brisas suaves de vento passavam sobre as mesmas.
A escuridão era violenta entre a vegetação dos jardins, mas a luz encantadora da lua cheia, junto com vários candeeiros antigos de rua bem decorativos, iluminava todo o edifício e grande parte dos seus pátios principais.
Todo o palácio repousava, em paz, nenhuma luz estava ligada, as janelas dos quartos e salões elegantes apenas dominadas pelas sombras da noite em contraste com a branca luz da lua, porém, via-se um pequeno brilho salvador numa das divisões.

Naquela hora tardia da noite, uma jovem dama observava, atenciosa, sobre uma das muitas varandas do edifício, o luar, o céu e as estrelas, ela ignorava os guardas nas suas rondas, ou outras coisas consideradas interessantes que ocorriam no jardim e que eram por vezes visíveis apesar de toda a escuridão, também ignorava uma paisagem obscura para longínquas montanhas visíveis no horizonte e até mesmo para as luzes de casas e estradas perdidas no meio do negrume que indicavam a existência de uma cidade mesmo ali ao lado.
Aqueles belos olhos, virados apenas para um só lugar, a lua e as estrelas, sua total atenção assente em todo o vasto universo cintilante sobre si, as mãos com leveza apoiadas sobre as elegantes paredes da varanda, seu olhar distante e ao mesmo tempo muito brilhante para aquele tamanho céu nocturno de verão. Seus cabelos eram loiros, autênticos fios de ouro, e seus olhos azuis como safiras raras que brilhavam muito com todo aquele luar, ela usava um pijama elegante, era uma roupa branca e dourada muito larga e confortável para passar bem a noite.
A jovem parecia triste, muito triste, algumas lágrimas caiam de seus olhos, mas o luar sempre a confortava, as estrelas cintilando a alegravam um pouco, o cantar das aves diurnas a tentavam embalar para esta receber um bom sono o resto da noite, e tais majestosos sons do negrume misturados e levados pelo vento, pareciam formar uma triste, serena e incógnita melodia que pairava em toda a paisagem.

O sol triste que canta na escuridão
Olhar gelado que dança na depressão
o inverso um dia ocorrerá
Será que sim? Será que não? Só o tempo dirá.

Alma fria, grande coração que carece
confusão extrema que só e sempre arrefece
E quando será que tal finalmente aquece?
Não se sabe, o tempo tal sempre esquece

Será que esperado tal dia chegará?
o achamento da nova esperança
nova vida, sem nenhuma má lembrança
e logo... Sempre conter tal viva herança...

Porém...
Será que sim? Será que não?
Só o tempo dirá. Pois só ele tal aceitará.


Quase todos os dias, naquela hora, ela procurava sempre conforto num céu nocturno e num ambiente igual aquele… Durante muito tempo, ela ficava sempre ali, sozinha, parada, em paz, com aquele comportamento, olhar distante, expressão triste… Esta era Agnes, a princesa de Dreamian.

Passado muito tempo, uma brisa de vento mais gelada que o comum fez a jovem tremer, este foi o motivo que a fez voltar para dentro do palácio. Apesar de ser verão, ali era comum muito frio durante a noite e muito calor durante o dia, talvez devido a altitude onde o palácio se situava, sujeito a muitas massas de ar frias, ou então devido a outro motivo misterioso.

Ela entrou dentro do quarto, passos calmos, e sem grandes pressas usando gestos delicados fechava e trancava a porta de vidro deslizante e moderna que dava para o exterior, esta que também servia como uma grande janela do quarto e que oferecia uma vista deslumbrante.
O quarto era iluminado por um belo antigo candelabro situado numa mesa cabeceira ao lado de uma antiga cama, ele com suas sublimes chamas tornavam todo o quarto visível, a divisão era digna de uma verdadeira princesa, a grande riqueza em todos os objectos, as decorações, um sofá, várias pequenas mesas, uma secretária bem grande… Lá dentro continha quase tudo, parecia uma mistura de quarto, sala de estar e escritório com modernidades da mais alta qualidade e muitas raridades antigas à mistura, a divisão era toda dotada de um embelezamento de cortar a respiração, digno de pessoas com estatuto elevado, além de bastante espaçoso e acolhedor.

A princesa dirigiu-se directamente a sua cama, ela observou ao seu redor a riqueza de sua vida, o seu espaço pessoal mas ao mesmo tempo para ela deprimente, andava calmamente, passos serenos e leves, de cabeça baixa grande parte do tempo, até seu destino, á medida que dava alguns suspiros longos, sempre com a mesma expressão triste em seu olhar, ela aproximou-se da cama e observava a mesma, pensativa. Em cima desta dormia uma curiosa criatura, semelhante e também pouco maior do que um gato, era como uma gigante bola de pelo com uma cauda e duas antenas com um género de rectângulos na sua ponta.
Ela sentou-se sobre os aconchegantes cobertores e acariciou levemente a criatura que dormia profundamente sorrindo para si mesmo, depois apagou as chamas do candelabro num gesto gracioso e deitou-se com cuidado ao lado deste. Continuava a acariciar com ternura tal bicho inabitual, apesar dela estar sentido um pouco de frio, não se deu ao trabalho de se cobrir, já que isso implicava acordar o seu animal de estimação que dormia bem descansado e se tinha apoderado da cama inteira.

Agnes olhava para o além, para a escuridão, ela parecia assustada, era como se ela visse sombras perto dela, presenças ao seu redor, então fechava os seus olhos e abraçava com força o seu animal peludo… Parecia estar com pavor… Ela tentava se concentrar nas melodias das aves diurnas, que podiam ser, por vezes, no meio de todo aquele silêncio, escutadas com clareza dentro do quarto, e tentava ignorar qualquer outra coisa que para ela era assustadora.
De repente alguém bate á porta.

- Agnes! Posso entrar? – Disse uma voz, era uma voz muito doce, Agnes não respondeu, e também não se deu ao trabalho de se alevantar da cama para abrir a porta - Eu sei que estas acordada ainda! Os guardas viram-te na varanda!
- Entre… - Respondeu ela, finalmente, passado alguns minutos depois de um suspiro, a voz da jovem era baixa e um pouco tímida, ao mesmo tempo calma e doce, mas ouviu-se perfeitamente no silencio da noite.

Uma grande porta antiga e cheia de detalhes bem trabalhados, localizada um pouco longe da cama, no outro lado do quarto, abriu-se, uma mulher entrava calmamente, ligou a luz do teto através de um interruptor e fechava a porta, ela manteve-se sorridente, com um olhar sincero, parada mesmo ali observando a sua grande dama deitada junto ao animal, suas mãos estavam juntas uma a outra, assentes sobre a barriga como se ela esperasse por alguma ordem de um superior.
Sua raça não parecia ser humana, pois era muito diferente da princesa Agnes, como características principais esta possuía uma pele coberta por uma camada curta de pelo cor de areia, em sua cabeça continha pequenas orelhas e um nariz que lembravam um cervídeo, possivelmente era uma velha Sonnure, uma das espécies humanóides mais comuns do reino de Dreamian, na cabeça seu cabelo curto era da mesma cor que sua pele, aquela curiosa mulher também aparentava ter algum peso a mais devido ao tamanho de seu corpo e usava uma roupa de mordoma um pouco velha, suja e rasgada.

- O que deseja senhora Iara? – Perguntava educadamente a princesa depois de se aperceber quem era a sua pequena visita.

A mulher aproximou-se em passos leves da cama, por onde ela passava ela endireitava sempre algum objeto fora do lugar ou limpava alguma sujidade e lixo visível, afinal aquele parecia ser o seu principal dever. Quando ela chegou perto da cama sentou-se sobre a mesma e dava um sorriso pequeno e sincero.

- Eu só queria… Ver se estavas bem… - Disse olhando para Agnes, ela começou a endireitar o cabelo dourado da princesa com gestos delicados, a princesa simplesmente afastou-se um pouco e não disse nada, mantendo-se sempre com o mesmo olhar deprimente, e então algum silencio se passou.

- Já vi que não… - Comentou finalmente a mulher, adotando  logo em seguida uma expressão um pouco mais séria, Agnes permanecia em silêncio – Precisas de alguma coisa?
- Não… - A jovem respondia, com um tom de voz bem baixo.
- Tens a certeza? – A velha Sonnure continuava a perguntar e parecia bem preocupada – Queres um copo com água? Tens fome?...
- Eu não quero nada…
- Então… Não consegues dormir? Estás com frio?
- Um pouco… - Agnes respondia, porém virava as costas, e ficava ainda mais triste.
- Deseja no mínimo desabafar? – A mulher continuava a insistir com as suas interrogações.
- Não… Será que podias deixar-me sozinha? – A jovem dizia um pouco rude enquanto continuava abraçada e a acariciar a sua criatura de estimação peluda.
- Ouve bem Agnes, minha querida – A mordoma dava um suspiro bem longo – Eu me preocupo. E desde… Bem… Aquele dia… Estás sempre assim… Estás diferente… E eu só estou a tentar ajudar…

Novamente, silencio, a mulher sabia que naquele silêncio estava a sua resposta, e assim ela preferiu deixar Agnes no seu espaço, colocou-se em pé e esfregou a mão na sua cara, pensativa.
A temperatura desceu mais um pouco, o que fez a jovem estremecer e abraçar ainda mais a criatura á procura de calor e conforto, a senhora Iara reparou, e não pode deixar de reagir, então com um olhar um pouco maléfico pegou carinhosamente no bicho peludo e o colocou no chão. Este acordou confuso e abriu sua grande boca com muito sono, esticou seu corpo e sacudiu todo o seu pelo, depois sentou-se no chão, mexendo sua cauda de um lado para o outro, ele parecia resmungar por lhe terem destruído um bom momento de sono e ao mesmo tempo balançava levemente seu corpo, quase caindo de sonolência, olhava para ambas as pessoas, muito sério, com seus grandes olhos verdes.

- Coitado… - Agnes sentia pena do seu animal.
- Diz-me que atitude é esta… O Almôndega em cima da cama? O que seu pai disse sobre animais de estimação a sujar os cobertores?
- Mas ele estava a dormir tão bem… - Agnes dizia com uma expressão inocente.
- Eu sinceramente não me importo… Eu amo dormir ao lado de animais de estimação… Mas sabes bem que eu estou apenas a cumprir ordens exteriores – Ela dizia enquanto estava acariciando a cabeça peluda do pequeno animal – Sabes perfeitamente o quanto ele odeia ver pelos nos cobertores das camas… Depois quem sofre sou eu, a representante de todas as Aias do palácio…

Logo de seguida, a mulher desfez a cama e cobriu a princesa, segurava os cobertores bem calmamente, ela a aconchegava com carinho, seus gestos transmitiam realmente muita ternura, mas a princesa Agnes parecia não dar valor qualquer a todo aquele ato amoroso.

- Eu não sou criança nenhuma para… - A jovem começava a resmungar até ser interrompida.
- É o meu trabalho! – A mulher deu um sorriso um pouco irónico. – Pelo menos agora não vais sentir mais frio…

A princesa endireitava os cobertores a seu gosto e virava novamente as costas, a mulher ficava impaciente e pensativa, ela inclinou seu corpo e deu um pequeno beijo na testa da jovem.

- Um beijo? Eu já disse que…
- É o meu trabalho! – A mulher dava a mesma resposta de antes – Não importa se és criança ou não, a forma como o amor se transmite entre as pessoas não tem limites – Ela dizia com um grande sorriso e uma voz muito serena, a princesa não disse nada sobre aquele assunto, muito pelo contrário ela pareceu ficar ainda mais tímida do que o usual ao, aparentemente, corar.
- Pode fechar esta luz e sair?... Eu queria tentar dormir… - Agnes dizia passado mais alguns breves momentos de silêncio, com uma voz baixa, como se tal fosse um favor.
- Eu posso ajudar… Não existe nada melhor que uma boa história para adormecer!
- Uma história… Para adormecer?...
- Um bom livro é a solução para tudo! – A mulher dizia com uma gargalhada.

A criatura peluda ergueu logo suas antenas quando ouviu aquela palavra, ‘’livro’’, naquele instante ficou imediatamente sem sono e começou a correr pelo quarto inteiro, deixando um pequeno rasto de barafunda, parecia procurar qualquer coisa de forma desesperada, até ele chegar a uma estante com muitos livros de variedades incontáveis, ele pegava em um deles com sua grande boca, e logo em seguida corria e saltava para cima da cama, ele entregava o livro á princesa, esta não recusou, sentou-se e recebeu o presente inesperado.
O objeto estava um pouco molhado e com a capa quase estragada devido á baba e pequenos dentes do animal, a velha Sonnure entregou-lhe logo algum papel para limpar o mesmo, depois de devidamente limpo, Agnes observava durante algum tempo toda aquela obra por fora.

- Os Dreamurs são seres tão fofinhos e inteligentes, eu só quero apertar um! – A mulher estava encantada com a atitude do animal.
- ‘’Gladius - Uma história de um Orc?’’ Autores desconhecidos... Queres que eu leia isto?... – Agnes perguntava um pouco tímida enquanto olhava para o seu mascote, o mesmo parecia sorrir e estava a observar atentamente a jovem, sentado em sua frente sobre os cobertores.
- Eu amo esse livro! – A mulher ria, mas depois logo ficou pensativa – Inspirado em factos reais… É muito interessante, mas demasiado pesado para uma hora destas e também para a sua… Idade… Eu acho melhor algo mais leve para ajudar a adormecer…

A mordoma dirigiu-se á mesma estante onde a criatura fora buscar aquele livro, ela arrumou o mesmo no seu devido lugar e tirou outro, ainda maior, depois dirigiu-se novamente á cama e entregou gentilmente á princesa.

- ‘’Os Maiores Contos de Fadas de Dreamian?’’ Por Gilda Montello – A princesa lia o título do mesmo e a respectiva autora com uma voz de tonalidade baixa e observava cada detalhe do livro, incluindo todo o seu tamanho e número de páginas.
- Sim… Não existe nada melhor para ler antes de adormecer do que um bom conto de Fadas! - A mulher dizia e de certa forma notava-se alguma ironia em sua voz.
- Estás brincando comigo? – Agnes ficava mais séria que o comum.
- Se não quer, então eu já vou buscar o outro livro, parece ser melhor…Muito melhor! – A senhora Iara dava uma expressão sarcástica e depois contava pelos dedos  – Deixa lá ver… Ele tem um monte de erros estranhos e inexplicáveis de enredo… Sim! Não tinha escolha melhor! Aquele livro é demais!
- Não é isso… É que… Eu não aprecio contos de fadas… - Agnes olhava para o livro nas suas mãos, mais uma vez a sua resposta surgia passando algum silêncio e com uma tonalidade profundamente triste.
- Dê uma explicação lógica para isso…
- Eu… Não acredito em finais felizes…

Com aquelas palavras a mordoma ficava de certa forma triste e muito incomodada, tanto triste como o olhar depressivo da princesa, ela andava até a principal janela do quarto, aquela que também era uma entrada para a varanda, depois de puxar as cortinas para o lado a mesma permitiu a luzência da lua cheia penetrar naquela divisão do palácio e logo em seguia ela ficou ali, imóvel, apreciando as vistas e a natureza sombria e bela daquela noite.

- A verdade é que nem todos os contos de Fadas tem um final feliz minha querida… São raros os contos assim mas… Tristezas existem sempre… - A mulher dizia com uma voz muito doce e calma.
- Nessa lista de raridades… Está incluída a… Minha vida? – A jovem logo dizia e não deixava a mulher terminar sua frase.
- Eu sabia que ias tocar nesse assunto… Não seja assim pessimista! – A mulher se revoltava, mas logo em seguida deu um suspiro, acalmou-se e virou-se de novo para a janela, ficando a observar o luar - A sua vida ainda não acabou… Ainda tens muito pela frente… Quem sabe uma nova história comesse… Um novo capítulo para a sua vida… Talvez ele esteja mesmo a se iniciar… Neste momento!...
- Duvido… - A princesa dava um suspiro deprimente novamente acompanhado de suas palavras tristes.

Almôndega estava impaciente com toda aquela conversa para este era chata, Agnes ficava olhando para o livro nas suas mãos e nem o procurava abrir, mas o que o pequeno Dreamur realmente queria era passar logo para a ação, queria logo ouvir uma boa história. Assim com um gesto rápido ele removeu aquela obra das mãos da princesa, mordeu a mesma, rasgou algumas das folhas, com suas pequenas garras machucou as outras e acabou em determinada página. Ele, de um momento ao outro parou e sentou-se, satisfeito, fechava os olhos e pareceu sorrir, colocava sua pata levemente sobre uma das páginas, a mesma era marcada por um título e aparentemente era o início de um dos contos.

- Não é por nada mas eu acho que tens que controlar melhor ai o Almôndega… - A mulher sorria olhando a sujeira causada pelo animal, mas logo de seguida volta a contemplar a lua e o céu noturno – Ainda bem que eu consigo um novo livro igual a esse muito facilmente…

Agnes pegava naquela velha obra praticamente estragada delicadamente, logo de seguida limpava a pequena sujeira causada, Almôndega queria definitivamente ver a sua dona ler aquele conto, a princesa olhava com curiosidade, em tal página era possível contemplar a ilustração de uma flor, sua espécie lembrava uma magnífica túlipa encarnada e agarrada a suas pétalas estava uma pequena bela menina, ao seu lado estava um pássaro grande com lindas penas vermelhas, laranjas e douradas, brilhantes como fogo, e ele estava rodeado por algumas chamas. Aquele era um dos contos de Fadas típicos de Dreamian, talvez um dos menos conhecidos e populares entre as pessoas, mas ao mesmo tempo para muitos um dos mais belos e encantadores…

- Parece que ai o Almôndega também quer ajudar…  – A mulher sorria.
- Mais… Finais felizes? – Agnes esfolheava as páginas e observava os desenhos, chegando logo á conclusão do conto.
- Faz um esforço, finais felizes podem ser mais interessantes do que imaginas – A mulher dizia continuando a olhar a grande lua brilhante no céu atenciosamente.

O pequeno animal fazia uma expressão fofinha em seu olhar e de certa forma criava um ato de chantagem para a jovem, era como um daqueles pedidos de uma criança para os pais comprarem um brinquedo de que o mesmo deseja tanto. Agnes não resistia á fofura transmitida pelo seu observador, assim o Almôndega a convenceu por fim a ler aquele conto do livro.
A mulher observava ao longe a princesa a começar a ler e esta assim deu um pequeno sorriso, depois voltava a olhar sempre para as vistas da janela, muito pensativa.

- Está uma bela noite não é? – Ela perguntava enquanto continuava observando pela janela o exterior.
- E fria… - A princesa acrescentava com alguma timidez em suas palavras, ela estava naquele momento mais interessada em ler a pedido do seu animal, este observava o mesmo conto com seus grandes olhos verdes, sentado entre os braços da dama e o livro.
- Eu também conheci alguém que não gostava de finais felizes e acabou terminando em um… - A mulher suspirava muito deprimente – Ela também adorava observar a lua e as estrelas em noites iguais a estas… Vocês são… Realmente iguais…
- Quem era? – A princesa perguntava curiosa, mas a mulher decidiu fazer então silêncio, ela fechava os seus olhos e uma lágrima escorria pelo seu rosto, deixando  a jovem sem qualquer resposta.

Agnes então retomou á sua leitura e encarou as páginas do livro, observava muito atenta cada uma das ilustrações á medida que lia as palavras doces do conto, Almôndega também acompanhava a leitura. Típico da maioria dos contos de fadas infantis, Agnes leu todo o texto em menos de quinze minutos.
Nele, basicamente a personagem um dia salvou uma Fénix que se sentia presa e só, ambas ficaram muito amigas, era sempre ao lado dessa Fénix que a menina procurava atenção e conforto, ambas aprenderam juntas diversas lições de vida e a Fénix encontrou o caminho para a verdadeira luz. Um dia, uma assombração volta, dizendo que era hora de alguém pagar sua divida, e a menina fora levada para longe, sendo obrigada a se casar. Mais tarde a sua antiga companheira a ajudou a fugir do casamento e lhe mostrou a liberdade e o caminho para a verdadeira felicidade.
Depois de terminar a leitura, a princesa encarou muito seria a sua mordoma.

- Foi assim tão mau? – A mulher se virava de novo e encarava a jovem com um ar irónico.
- Mais ou menos… - Agnes suspirava – A menina e a Fénix… Já li piores…
- Os contos de fadas podem nos ajudar, ensinam lições e valores muito importantes, devias os dar mais atenção e carinho… – A mulher dizia com um pequeno sorriso, que ao mesmo tempo parecia transmitir uma sensação triste - E deixa lá adivinhar… Ainda não tens sono?
- Por acaso agora tenho…
- Eu disse que ia funcionar! Ler uma história funciona sempre! – A mulher deu um sorriso sarcástico enquanto Agnes arrumava delicadamente o livro na sua mesa cabeceira ao lado da majestosa cama, se endireitava entre os cobertores e bocejava - Bem… Então é melhor eu ir andando… - A mulher deu um suspiro, depois de contemplar a lua e o céu brilhante uma última vez, endireitou as cortinas da janela e começava a se retirar do quarto, até ela chegar á porta – Durma bem… Amanha é um dia longo…
- Dia longo?... – Agnes olhava um pouco assustada para a velha Sonnure.
- Sim… Tens que acordar cedo para as aulas com o seu mentor, vão ser importantes…
- Aulas… Mentor?... – A princesa ficava ainda mais assustada que antes.
- Sim! Não se lembra?... É a véspera do seu aniversário?... E na próxima semana a tua primeira Reunião do Concílio… Temos que iniciar tudo com antecedência e o teu mentor tem que te ensinar umas coisinhas… Importantes – Depois de tais palavras Agnes bateu rapidamente com a sua mão na sua cara.
- Eu… Esqueci completamente! – Ela demonstrava uma grande atitude de frustração.
- Como é que ela se esqueceu da altura do ano que ela mais odeia? – A mulher dizia para si mesma enquanto fazia uma pose dramática, porém, a jovem não entendeu.
- Foi nesta altura do ano que… Aconteceu aquilo… - A princesa suspirava e voltava a ficar ainda mais deprimente, a mulher fechava os seus olhos e baixava a sua cabeça como sinal de respeito.
- Mudando de assunto… Devo avisar que, como vais completar os quinze anos, o seu pai achou que naquela reunião que ocorrerá daqui a uns dias, bem… Devias conhecer alguns príncipes… - A mulher pareceu evitar querer dizer tais palavras.
- Príncipes?
- Eu sinceramente não entendi… Mas talvez já imaginas os motivos certo? É algo muito previsível…  A mordoma transmitiu um alto sorriso sarcástico ao dizer tais palavras.
- Eu não acredito… - Agnes pareceu pensar em algo que lhe fez ficar um pouco furiosa e assim resmungava para si mesma, a mulher não entendeu suas palavras mas observava atenciosamente aquele comportamento estranho da jovem dama.
- Eu sabia que ela ia odiar esta novidade… - A mulher virava a cara e murmurava seu pensamento, depois voltou a olhar a princesa – Como vê, amanhã vai ser um dia… Digamos… Um pouco terrível… É melhor logo adormeceres… Boa noite minha querida… Fique bem… - A mulher dizia enquanto fechava a luz e saia do quarto calmamente.

Agnes não respondeu nada e abraçou a sua criatura peluda que continuava sempre a seu lado como se ele fosse um grande boneco de peluche. A princesa ficou um tempo a encarar a escuridão que estava no quarto e com medo fechava levemente seus olhos , agarrava o seu animal com ainda mais força e novamente tentava se concentrar em ouvir as melodias exteriores, os pássaros da escuridão, e dessa forma não tardou muito tempo até ela finalmente adormecer embalada pelos misteriosos sons da noite…
...

A mordoma saia do palácio em plena noite, ela andava sozinha, observava o grande edifício de perto muito pensativa e olhava para aquele rico céu nocturno inúmeras vezes, um céu limpo e cheio de magníficas estrelas cintilantes, uma paisagem surreal que raramente se mostrava naqueles céus.
Ela andava calmamente no exterior, de um lado para o outro, parecia incomodada com alguma coisa além de muito triste, depois de algum tempo assim, inquietada por qualquer motivo misterioso, acaba por se dirigir até o interior do jardim real usando um caminho de pedra rodeado por várias flores, o seu comportamento incomum para uma senhora durante tal hora tardia da noite chamou logo a atenção de alguns dos guardas que andavam em vigília ali perto.

- O que a senhora faz aqui fora sozinha a esta hora da noite? – Um dos guardas se aproximava desta mulher e perguntava, a impedindo de continuar a seguir o seu rumo.

A mulher suspirou, um suspiro impaciente que logo indicou que a mesma não queria revelar os seus motivos, mas naquele momento estava precisamente a encarar uma figura de autoridade, e assim de um modo ou outro, tinha que responder. Esta observava durante algum tempo aquele guarda, ele continha uma cabeça de lobo e um corpo liso que parecia ser de um mamífero marinho, com uma cauda cumprida de peixe, ao longo de suas costas até a ponta da cauda continha várias barbatanas pontudas, ele era, aparentemente, um jovem Telquine, uma espécie humana muito curiosa que vivia nas regiões mais gélidas de Dreamian, eram incomuns de se encontrar naquela área. Este guarda, diferente dos outros, era magro e parecia fraco, ele mal se aguentava em pé com a grande armadura que usava, mas notava-se o seu esforço e preocupação em realizar um bom trabalho em nome da família real.

- O senhor é novo por aqui certo? – Ela perguntava de modo educado.
- Sim, meu nome é…
- Deixa adivinhar… Endiock Howell? – A Sonnure o interrompia e deu uma pequena gargalhada, depois cumprimentava o guarda com um pequeno sorriso no rosto, este ficava um pouco assustado com a adivinhação repentina da sua identidade – Eu ouvi falar, o membro mais recente da Guarda Real e o filho adotado do grande General das Forças Armadas, Raymond Howell, ele fez muito por mim e é um prazer conhecer um membro da família dele pessoalmente…
- Exato… Quem é a senhora? O que faz por aqui? – Ele perguntava com certa desconfiança.
- Iara Lavender – Ela logo respondia educadamente enquanto mostrava em sua roupa um curioso emblema, estes que classificavam os cargos daqueles que trabalhavam para a família real, algo típico em Dreamian desde os primórdios do reino e sua monarquia – Eu sou a principal mordoma da princesa Agnes, além de uma das líderes e representante de todas as empregadas do palácio… Sirvo-a sempre a pedido das palavras da própria Rainha.
- Certo… Eu já ouvi muito sobre si… Então não existe motivos para desconfiar… - O guarda dava um suspiro de alívio porém parecia ainda um pouco incerto - Desculpe o incómodo senhora, eu sou novo aqui e…
- É compreensível… - A mordoma dava um sorriso e colocava a mão com leveza no ombro do jovem guerreiro – Se conseguiu entrar na Guarda Real, é porque trabalhou muito para isso. Boa sorte com o emprego novo… Talvez um dia sejas considerado um grande guerreiro como o seu pai.
- Farei os possíveis – O Telquine sorria, ele realmente mostrava muito esforço em seu trabalho - Pode continuar a fazer o que pretendia, se precisar de algo urgente, é só chamar, estarei aqui com os outros guardas a seu dispor!
- Só uma pergunta… - A Sonnure dava um pequeno sorriso – Como está o seu pai?
- Stressado como sempre… - Endiock dava um suspiro muito deprimente á medida que respondia aquela questão.
- Ele continua sempre a pensar em matar aquela pessoa?...
- Sim. Está sempre atrás dela, aquela maligna criatura amaldiçoada… Por muito que ele tente, ela acaba sempre por fugir… Meu pai quer vingança… – Ele dizia e de certa forma se notava uma mistura de tristeza e muita raiva em suas palavras em tal preciso momento.

A mulher de certo modo voltava a ganhar uma expressão triste em seu olhar, ela se afastava do guarda sem nenhuma despedida nem comentário relacionado com tal assunto, este simplesmente a encarou durante algum tempo á medida que esta se distanciava, ele ficava assim também pensativo, de seguida se reunia com os outros guardas e assim continuava na sua rotina nocturna nos pátios e jardins do palácio em nome da segurança da família real.

A mordoma dava vários suspiros e continuava a andar nos caminhos de pedra rodeados de flores por entre a vegetação densa, passado algum tempo alguns pirilampos e outros animais da noite começaram a caminhar ao redor dela e a acompanhar no seu pequeno passeio, esta os observava e apreciava com algum carinho em seu olhar, á medida que com passos serenos caminhava por entre a escuridão da noite. Era como se os pirilampos e os outros animais a mostrassem e iluminassem o caminho.
Não tardo muito tempo até chegar a um lago, um pequeno lago com beleza e brilho impressionante rodeado por muitas grandes árvores antigas e uma vegetação quase selvagem em suas margens, no centro deste podia-se contemplar um pedregulho pontiagudo e sobre ele uma pequena velha estátua de pedra negra muito desgastada com o tempo que parecia representar um dragão com suas asas abertas em direção ao céu, que tal como o velho pedregulho, era coberta de limos e algumas plantas aleatórias de pequeno tamanho que cresciam naqueles ambientes aquáticos.

A mulher ajoelhou-se na margem e observava de perto suas límpidas águas durante alguns momentos, muito pensativa, ela encarava o seu próprio reflexo e o reflexo da reluzente claridade branca da lua e das estrelas sobre a superfície do lago. Logo depois, com muita calma, mergulhava suas mãos, ela fechava os olhos e sentia a frescura da água penetrar em sua pele, de seguida removeu um pouco desta com calma e lavou a sua face, sempre com uma expressão triste em seus olhos e assim ela ficava, em silêncio, encarava tudo ao seu redor e tentava ouvir as melodias da noite, apreciar todo aquele ambiente sossegado e natureza mágica e ao mesmo tempo sombria da área.

- Então dona Iara… Problemas com a Princesa Agnes de novo? – A mulher ouvia uma voz repentina, que para si era muito familiar, ela logo sentia uma grande presença mística atrás dela, manteve-se muito calma, virou-se e olhava por entre as árvores com movimentos vagos, lá estava uma criatura, era grande e não parecia ser humana, porém devido a escuridão sentida naquela área, onde a lua não conseguia penetrar, a forma da misteriosa besta não era reconhecível.
 - Todos os dias é quase sempre a mesma coisa… - A mulher se manteve sempre pensativa e triste – Eu não consigo fazer mais nada por ela… É difícil…
- Tente… Faz mais um esforço… Eu sei que consegue… - A criatura respondia, aquelas suas palavras amorosas tentavam ajudar a mulher, sua voz era, tal como a da própria mulher, calma e muito doce, tendo como principal diferença ser uma voz masculina e parecer vir de alguém extremamente poderoso e sábio.
- O que queres que eu faça mais? Eu a trato como uma criança, como uma filha minha desde… Sempre… Eu acho que ela já se cansa de mim… Ela já não deve gostar mais de mim… - A mulher parecia mais triste e preocupada do que o normal, além de profundamente confusa.
- Não… Ela não está nada cansada… É a personalidade dela, lá no fundo ela, na verdade, te adora… Nunca a abandones… Luta com mais força, ajuda a jovem a construir o seu conto de fadas – Ele dizia enquanto se movimentava nas sombras, ele pareceu encarar a lua naquele momento.
- Novamente… Ela me fez lembrar tanto aquela pessoa… - A mulher também encarou a lua muito atenciosamente e depois fechava os olhos, deles caiam varias lágrimas. - Eu ainda me sinto tanto culpada por aquilo que aconteceu…
- Acalme-se… Eu já disse inúmeras vezes… Aquele acontecimento não foi sua culpa… - A oculta criatura suspirava, notava-se que tal suspiro saiu muito deprimente – A princesa Agnes precisa muito de si… Apenas sê… Sê como a Fénix.

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Prólogo - Dracônia, o olho do grande Dragão

8 de dezembro de 2017 |

A radiante luz do sol batia sobre os vidros coloridos de grandes vitrais que pareciam contar uma velha lenda através de representações de indescritíveis criaturas, símbolos, longas frases ou pequenas legendas em uma língua de outros tempos…
Estavam situadas ao longo de altas paredes de um antigo e negro corredor, onde a paz reinava e o silêncio era tremendo, mas ao mesmo tempo existia uma grande energia de esperança e fé.
Por ele, vagueava uma misteriosa figura, pisava calmamente o tapete encarnado que cobria o chão negro de azulejos brilhantes, escondendo a sua identidade, usava um negro fato com capuz, era uma bela túnica preta que arrastava-se pelo chão enquanto a figura andava entre as sombras daquelas grandes paredes.
Ela parou em frente aos vitrais, e observou um pouco as figuras neles representados, encarava brevemente cada detalhe, cada desenho, com muita atenção e andava de um vitral para o outro, e com uma voz calma, doce, de estilo feminino, pronunciou as seguintes palavras:

- Esta é a história de um povo… - Dizia a figura, que aparentava ser uma mulher, usando um tom de voz quase murmurando pareceu demonstrar grande respeito, como se os vitrais fossem tudo para ela.

Um grande momento de silêncio se passou, a mulher, ali sozinha num corredor escuro e vazio de um velho templo, onde a única luz apenas entrava devido a fracos raios de sol que batiam nas vitrais, observava sempre os mesmos com atenção, depois num gesto calmo virou-se para a outra parede, nesta parecia existir também vitrais, mas curiosamente estavam escondidas, tapadas por um grande cobertor negro.
A mulher atravessou o corredor com passos serenos e aproximou-se desta parede misteriosa, ela olhou cuidadosamente para cada detalhe, para cada anomalia, procurava ansiosa um buraco por onde pudesse espreitar o que lá atrás se escondia, foi quando, com um gesto calmo e de medo, pegou numa pequena parte da cortina, com o desejo de a remover e observar o que esta ocultava…

Naquele instante, alguém entrou naquela área, o que fez a mulher remover as suas mãos imediatamente do tecido negro. Então olhou exaltada para uma porta de madeira antiga localizada no fim do corredor, um homem acabou de entrar, ele aproximava-se da mulher em alguns passos rápidos.
Vestia uma pesada armadura prateada, tudo indicava ser um membro do exército, um dos principais Generais das Forças Armadas, um velho e experiente guerreiro devido as grandes marcas e cicatrizes do seu corpo, com uma longa espada á sua cintura, tinha a mão no seu punhal, ele observava atento cada canto, cada detalhe do corredor, em busca de possíveis inimigos, sempre pronto para atacar e defender o seu povo.
Ao contrário da mulher, sua aparência era notável, em seu corpo se realçava uns grandes chifres sobre a cabeça, a pele era totalmente coberta de pelo curto e castanho e o seu nariz achatado, tudo indicava ser um Sonnure, uma das principais espécies humanas daquelas terras.

Ela observava o velho guerreiro, com um ar de surpresa, depois não teve mais nenhuma opção senão saudar a inesperada visita.

- Eu estava esperando a vossa chegada… Mas para a próxima bate á porta, não está em sua casa, está em solo sagrado… - Disse, com um tom de voz baixo e calmo, voltou a aproximar-se dos vitrais e a observar os mesmos de forma pensativa, sem se importar com a presença do guerreiro.
- Peço desculpa… Estou com pressa… Nossa Majestade e toda a família real estão a esperando no salão. – A voz do homem era calma mas forte, voz de alguém que já sofrera muito na vida, mas que continuava sempre erguendo sua espada aos céus, ele também virou-se para as vitrais tentando procurar o que a mulher encarava.
- São uns magníficos vitrais!... Minha velha amiga, foram raras as oportunidades que eu tive de vir cá, mas para ver isto, vale sempre a pena todos os esforços – Admitiu o velho Sonnure.
- Esta é a história de um povo… A história do nosso povo… A nossa própria história! Aqui está a mais antiga lenda, a mais bela crença de nosso reino, Dreamian!… – Anunciou a mulher de forma pacífica, com palavras suaves e calmas, encarando o vitral maior.

Eram muitos os vitrais, a parede praticamente coberta por eles, mas cinco vitrais, apenas cinco é que impressionavam, pois eram os maiores, muito maiores que os restantes, e estavam no centro da parede. O mais alto, mais grandioso de todos eles, era muito mais bonito e trabalhado do que os restantes, localizado no centro dos quatro, e o que realçava entre todos os vitrais, parecia representar um homem segurando um cristal de várias cores e a figura de um dragão cor de cinza que com suas quatro asas parecia ascender aos céus um curioso e belo antigo símbolo que lembrava uma estrela. Os do lado pareciam, cada um, representar quatro heróis, quatro velhos e talvez bondosos heróis, um deles era uma simples humana, os restantes pertenciam a alguma outra raça humana daquele reino.

O homem começou a olhar para os vitrais e andou de um lado para o outro, encantado, a os observar mais de perto, apreciando tamanha beleza com respeito, a mulher de forma serena acabou por pronunciar os nomes dos supostos heróis lá representados.

- Frostza, A Pilar de Água… Perpes, O Martelo de Madeira … Naej, O Explosão Aérea… - Ela respirou fundo, e disse o nome da última figura, com alguma dificuldade, como se não quisesse aceitar a existência de tal suposto herói – E por último… Shii, A Traidora…
- Os Guardiões de Dreamian… – Pronunciou o Homem, calmamente e bem impressionado com tanta beldade e grandiosidade dos vitrais.
- Todos filhos de Ahaiakaz, nosso grande senhor, pai negro, pai Dragão… Mas agora não é tempo para falar de religião e crenças… - Disse a mulher ao aproximar-se do vitral central, o mais grandioso de todos, e a passar a sua mão suavemente nos seus vidros.
- Sim, não é a altura certa… Vamos, não queremos deixar os nossos Monarcas á espera muito tempo. – Disse o homem apercebendo-se da distração que tinha sobre os vitrais e entrando de novo na realidade. Ele começou a andar em direcção á porta até que a mulher chama a sua atenção.
- Mas antes temos assuntos a tratar… Assuntos sérios… - O homem parou e virou-se para ela numa posição muito seria, esperando as suas palavras - E a segurança do templo, qual a sua situação, já viram alguma coisa suspeita? – Perguntou ela com um tom de preocupação, afinal, essa tal ‘’Majestade’’ e ‘’família real’’ só podiam ser pessoas extremamente importantes e ela estava a recebe-los ali, no seu suposto lar.
- Tenho alguns dos meus homens em cada esquina dentro do templo, lá fora a vigilância está mais reforçada, é difícil ver agora, já que levantou alguma neblina, parece que o tempo está a mudar e o sol desaparece aos poucos do céu, como também esta a anoitecer, tenho cerca de uns cem guardas em vigília na rua, mas ainda não existe sinal de perigo, se existir inimigos o aviso será imediato.
- Pois… É isso que me preocupa…
- Porquê senhora? Mesmo sendo poucos, meus guerreiros foram bem treinados para esta situação! Eles sabem o que fazer, são os mais poderosos do exército, são experientes Magos, Arqueiros, Soldados… Sem contar com algumas das montarias específicas que decidi trazer, os monstros mais bem treinados e poderosos…
- Não é nada disso! – Interrompeu a mulher – Eu não duvido das vossas habilidades, vocês são grandes protectores! Raymond, meu velho amigo, vocês já salvaram a minha vida…
- Então o que é? O tipo de inimigo que estamos a enfrentar? Eles nem devem saber que estamos aqui, em toda a nossa jornada até estas ilhas não existiu sinal nenhum, nenhuma suspeita de espião nem nada disso, a nossa viagem foi feita em segredo, e bem conseguido.
- Isso significa que baixou a guarda com esses cem miseráveis na rua, e pior, está a levantar nevoeiro e a anoitecer?! – A mulher repreendeu Raymond, suas palavras foram tão altas que até fizeram eco naquela divisão – Estamos numa situação grave e é assim que protege os nossos Grandes Senhores? Só porque não existiu sinais não significa que vai correr tudo bem! Só porque eles são experientes não significa que vamos garantir vitória!…
- Mas mais soldados estão em terra firme, como reserva, á espera de ordens, e outros bem atentos não só nessa ilha.
- Então envie já! Imediatamente mais soldados para cá!... – Ordenou a mulher. O General concordou e fez um sinal com a cabeça, admitindo um possível erro.
- Sabes bem quem nós cá neste templo somos… Que sentimos o perigo… E já previmos inúmeras catástrofes… Por algum motivo todos tem medo de nós, tem medo de vir cá, e isto é um momento importante, porque finalmente o Concílio, a Rainha e o Rei nos reconhecem… Reconhecem a nossa crença…
- Sim, é verdade, eles vieram de livre vontade mas lá no salão estão muito alerta… Com mais medo de estar aqui do que do próprio inimigo… - Comentou o guerreiro.
- Nós entendemos esse medo, porque nós não somos do mal, mas também não apoiamos totalmente o bem… – Murmurou a mulher, depois de existir um breve silêncio, retomaram a conversa - Quanto ao inimigo… Nós nem sabe-mos quem eles são, quantos deles são, nem o que querem exactamente…

Ela debaixo do seu capuz pareceu fechar os olhos e baixou um pouco a cabeça, deu alguns profundos suspiros seguidos por calmas palavras, o homem afastou-se com uns pequenos passos para trás e desse modo com certo medo, observava…

- Eu sinto… Eu sinto… Que eles estão em todo o lado… Eles são a própria sombra… Eles estão aqui...

Estas ultimas palavras foram pronunciadas depois de um suspiro muito extenso, e de seguida ambos não disseram mais nada durante um longo período de tempo e ficaram a observar as vitrais mais uma vez, mantendo-se bem pensativos, o guerreiro continuava com medo de seu erro, do que podia acontecer futuramente.

- Eu sei que não devo duvidar de suas palavras… Grande Sacerdotisa… Que os Deuses e Heróis do passado estejam ao nosso lado… Vamos… Eu vou reforçar a vigilância… A Rainha, o Rei e os restantes estão á nossa espera… - Disse o homem calmamente, quebrando uma grande pausa de silencio, admitindo um possível erro, talvez tanta paz não devesse ser um sinal positivo, este velho Sonnure já tinha cometido muitos erros na existência, e agora ele não queria destruir mais vidas por sua possível culpa…

A mulher deu vários passos atrás do Sonnure, mas parou e voltou a olhar para as vitrais, especialmente o do centro, juntou as mãos á boca e rezou, pronunciou algumas breves palavras bem sussurradamente, fazendo o Guerreiro não as ouvir.

- Ahaiakaz! Se o que eu sinto for verdade… Se aquilo que eu vi for verdade… Salve a safira ou a esmeralda… Que assim seja e que assim se faça…
- Então não vens? – Disse o homem ao se aperceber que a mulher estava parada, naquele momento este aproveitou para olhar de novo as vitrais, e ele próprio disse algumas pequenas orações em sua mente… Depois ambos continuaram a andar em silêncio e saíram do corredor pela mesma porta que o próprio General Raymond entrou.

O salão daquele templo era bem grande, requintado e luminoso, continha grandes janelas em paredes brancas e amarelas com alguns pilares e arcos que eram cheios de detalhes dourados bem cuidados, o chão era de azulejo branco bem simples, estava coberto no seu centro com um tapete azul que incluía em suas bordas desenhos vermelhos que pareciam formar padrões com flores, especialmente rosas.
A mobília parecia ser bem antiga e de grande valor histórico, grandes estantes bem antiquadas cheias de livros muito antigos faziam o local lembrar uma biblioteca de outros tempos, com sofás e cadeirões castanhos de todos os tamanhos espalhados ao redor das prateleiras e ao longo das paredes, sem contar com as inúmeras estátuas riquíssimas de vários tamanhos e materiais que retratavam heróis e criaturas do passado em poses majestosas que decoravam ainda mais a divisão. Ao lado destas também estavam pequenas mesas que suportavam livros abertos ainda por ler entre outros objectos, mas especialmente candeeiros modernos e alguns candelabros antigos, alguns dos quais já continham velas acesas á espera que o sol lá fora desaparece-se por completo.
E de facto estava a anoitecer, a luz já não era a mesma, e a neblina era cada vez mais forte lá fora… No centro de todo o salão, sobre o longo tapete, estava uma grande mesa, rodeada por muitas cadeiras almofadadas devidamente posicionadas.
O contraste de cores parecia estranho á primeira vista, mas era bem elegante e com uma grande beleza assentada no antigo, aquele salão era um local de convívio entre os Sacerdotes que viviam naquele templo, também lembrava uma biblioteca ou uma sala de jantar extremamente requintada, apesar de claramente não o ser, já que neste templo existia salas muito maiores e especificas para tal.

Aquele templo enorme tinha poucos membros, talvez por volta de quinze, por isso aquele salão era geralmente muito vazio, mas hoje estava cheio de visitantes, era a família real inteira e alguns parentes distantes, e ainda as famílias dos membros do Concílio que eram das mais ricas e importantes de todo o reino de Dreamian. Os sofás e cadeirões (que para a Grande Sacerdotisa eram considerados demasiados naquele sitio) agora estavam totalmente lotados, pessoas neles sentadas, esperando impaciente por alguma coisa, pertencentes ás inúmeras espécies humanóides daquele universo, na sua maioria humanos ordinários, com roupas e comportamentos demasiado formais de modo geral e que sem saberem os reais motivos, aceitaram o convite e estavam ali só para agradar e ganhar uma aproximação aos senhores supremos do reino, o Rei e a Rainha de Dreamian!
Todos estavam lendo livros ou conversando, comendo algumas pequenas bolachas de chocolate ou outros snacks, apreciando o ambiente de convívio entretidos mas ao mesmo tempo inseguros, afinal parecia existir problemas entre aquelas pessoas e os Sacerdotes do templo.

Quando se apercebem da chegada de Raymond acompanhado pela Grande Sacerdotisa que entraram por uma velha porta de madeira e bronze, alguns alevantaram-se de suas cadeiras, outros continuaram sentados e olharam descaradamente, a mulher não estava gostando do ambiente, por algum motivo aqueles olhares a incomodavam, nenhum dos outros sacerdotes encontrava-se no local, possivelmente estariam nos seus aposentos também para se ocultarem daquelas pessoas com cara de mau humoradas. Todos olhavam e até sussurravam uns para os outros, em alguns casos até demasiado alto, á medida que a mulher passava pela multidão á procura dos seus Monarcas.
O General bem que fez um sinal para esta ignorar, mas ela simplesmente não conseguia, pois sempre ouvia comentários horríveis dirigidos directamente para ela, para seus irmãos sacerdotes e todo o templo.

Foi quando finalmente encontraram uma das pessoas que desejaram ver, o Rei Ryan Seurine III, um homem alto e magro, de olhos verdes brilhantes e um cabelo ruivo, com um pequeno bigode, vestia as típicas roupas de um Rei, um manto vermelho e dourado cheio de pedras preciosas, sobre sua cabeça estava uma coroa de ouro e prata com jóias de inúmeras cores. Estava sentado na longa mesa central, num grande cadeirão castanho de detalhes riquíssimos, rodeado por vários soldados que bem atentos protegiam o seu senhor. O homem bebia um cálice cheio de vinho, e estava acompanhado por membros do tal chamado Concílio, também sentados em cadeiras almofadadas, pareciam estar a discutir alguma coisa inadequada para a ocasião, possivelmente relacionado com política.

- Raymond! Finalmente, vem cá meu velho matulão! Parece que temos um problema... – O Senhor ao apercebe-se da chegada de Raymond perto da mesa interrompe a sua conversa com os membros do Concílio. Ele afinal de contas era o General Supremo das Forças Armadas e braço direito do Rei, este que chamou logo o seu guerreiro, que com ar de impaciência aproximou-se da mesa e saudou o seu senhor com uma pequena vénia. A voz do Monarca era grossa, mas esse tom forte era respeitável e conseguia ter ao mesmo tempo um discurso bem fluente.

A Sacerdotisa estava desconfiada de alguma coisa, era difícil enganar aquela mulher, e continuou em sigilo, tentando ouvir a conversa um pouco afastada do local.

- O que foi, meu Senhor? – Perguntou o General Raymond, que já estava com receio do que podia ser.
- Meu velho homem… Exijo que traga mais umas tropas para cá! – Ordenou o soberano.
- Era exactamente o que eu planeava fazer meu Senhor. Mas… É algum problema?

O Rei começou a sussurrar qualquer coisa para Raymond, um tom de voz mais baixo, como se não quisesse que os restantes ao seu redor acabassem por ouvir suas palavras, a Sacerdotisa não conseguiu escutar nada, talvez devido ao barulho sentido graças ás conversas das varias famílias ali perto reunidas. De repente, Raymond sai da sala a correr, aos empurrões por entre a multidão, todas as pessoas olharam para ele e seu pânico bastante espantadas.
A mulher vai então preocupada com o ocorrido finalmente saudar o Rei, depois de uma vénia, para tentar descobrir alguma informação.

- Grande Sacerdotisa! Que demora foi essa? Mandei o General Raymond te procurar e vocês demoraram tanto…
- Eu estava no corredor dos vitrais… - Explicou ela com um tom de timidez em sua voz – Estava procurando conforto ao lado dos Guardiões de Dreamian…
- Otimo… Os outros Sacerdotes é que nos receberam aqui, e mandaram-nos esperar no salão pela senhora, depois de algum tempo foram sei lá para onde, desapareceram sem dizerem nada, já viu o descaramento?

A mulher não disse nada em relação a tal informação, pois apercebeu-se que o Rei talvez já tinha uns copos a mais tendo em conta a cara e o nariz avermelhados e o cálice de vinho em suas mãos que estava constantemente cheio.

- Já agora… Fique a saber que foi difícil trazer esta gente toda aqui em segredo… Sem ninguém sair por ai gritando ‘’ A família real foi para o templo da Irmandade …‘’, percebes-te? – Explicou enquanto um membro do exército lhe enchia o seu cálice de vinho novamente, e depois o Rei Ryan deu uns valentes goles no líquido fazendo com que o mesmo acabasse vazio novamente.
- Por acaso não entendi… - A mulher respondia com algum sacrifício em sua voz, talvez por estar directamente presente com uma grande figura de autoridade.
- O que eu quis dizer é que… Tu é que insististe tanto nisto… Se acontecer alguma coisa grave por aqui, tu és a responsável, a dona deste templo, meus soldados são um pequeno extra para te ajudar, irás pagar bem caro se algo grave acontecer, tal como a morte de um de nós… - Explicitou o homem, mexendo o cálice e observando o pouco vinho que existia neste em movimento.
- O povo não gosta de misturar religião com política… Falo por experiencia própria… - Acrescentou um dos membros do Concílio que estava sentado mesmo ao lado do rei e acompanhado a conversa, era um homem que, curiosamente, tinha cabelo curto e roxo.
- Eu não tenho culpa meu senhor… Essas são as regras do destino… E além disso eu não mandei vir as famílias inteiras do Concílio para cá!
- Sabes como é… Quase impossível sair sem eles… Mas isso agora são assuntos mais privados… - Sussurrou o Rei Ryan, para que os restantes sentados na mesa não ouvissem.
- Tudo bem… Vou dar o meu melhor para que tudo corra bem… Mas o problema não esta em mim… - Ela deu um suspiro e tem coragem para perguntar directamente e educadamente o que estava acontecendo com o General das Forças Armadas, além disso ela estava impaciente com aquela injustiça e queria mudar de assunto - Meu senhor, o que aconteceu com o General Raymond?
- Grande Sacerdotisa… Não sei se vai gostar da novidade… - O Monarca faz uma pausa para dar um gole no cálice, e depois continuou o seu discurso - Um dos soldados viu varias pessoas misteriosas nas redondezas, Raymond vai agora organizar melhor as tropas e fazer umas rondas… Mas o que me preocupa é que eles estavam perto do Circulo…
- O Círculo… Será que… O que eles querem do Circulo? – A mulher parecia começar a ficar muito preocupada e confusa, mais do que aquilo que lhe era comum.
- Calma, está tudo bem, Raymond vai enviar mais soldados para lá… - Disse ele, tentando a confortar, depois de um breve período de silêncio.
- E como eram essas pessoas? – Perguntou bem preocupada, o Rei deu um pequeno suspiro e respondeu para ela de forma baixa para que ninguém do salão ouvisse, nem mesmo os membros do Concílio ali sentados.
- Igual ao inimigo… - A mulher ganhou uma expressão de medo e terror ao ouvir tais palavras. - O mais sinistro é que um deles parecia ser muito baixo e magro, muito jovem, talvez uma criança…
- Uma criança?!... Não… Está perto… Está tão perto… Onde está a Rainha? Preciso de falar com ela urgentemente! – A Sacerdotisa parecia bem preocupada com aquilo, suas palavras tremiam, todo o seu corpo tremia de pavor.
- Está lá fora no jardim com nossas filhas, ela quis apanhar ar puro… Mas porquê estas assim? Sabes alguma coisa que eu não sei?

A questão ficou por responder, a mulher correu por entre a multidão, que também começou a olhar descaradamente surpresos e a ficar bem preocupados, ela dirigiu-se para uma grande porta que existia numa das paredes do salão.
Essa era uma das entradas principais que ia parar ao exterior do templo, lá fora não se ouvia as conversas das famílias do Concílio nem nenhum outro ruído, era silêncio total, existia algum nevoeiro e a noite estava a chegar, o céu com muitas nuvens adotava aos poucos cores que variavam entre o azul e laranja, e as próprias nuvens e nevoeiro pareciam seguir o mesmo padrão. A Grande Sacerdotisa encontrava-se agora num grande e belo jardim, inúmeras plantas floridas, árvores de variados tamanhos e pequenos arbustos misturados com muitas ervas daninhas pareciam ser invadidas pela neblina. Naquele clima misterioso, com todo aquele ar selvagem, o jardim lembrava uma floresta perdida e pouco cuidada com varias flores cultivadas ao acaso, ganhando assim uma beleza única e mais natural.

A mulher com passos rápidos, recuperando o fôlego, seguia um caminho de pedra branca entre as árvores e vegetação, até que encontra um género de pequena clareira, este era o centro do jardim, o mais belo e mais florido local em comparação com a restante área, a maioria daquelas flores eram rosas, no seu centro existia uma grande antiga árvore e debaixo dela um banco de pedra.
Uma mulher estava sentada sobre esse banco, ao lado de duas crianças deitadas com a cabeça sobre as suas pernas, ambas estavam enroladas num manto encarnada, eram quase idênticas, possivelmente irmãs gémeas falsas, estas eram as princesas de Dreamian, Aisha e Agnes.
Aisha tinha o cabelo ruivo e belos olhos verdes, de certa forma lembrava muito o seu pai, enquanto Agnes era loira de olhos azuis e saiu muito mais á mãe, ambas eram belas de aparência, magníficas crianças que nesta altura tinham por volta de cinco anos, vestiam a mesma roupa, um género de vestido azul com marcas de um tom rosa claro. Estavam praticamente a cair de sono.
A mulher era a Rainha Luana Seurine, acariciava as suas filhas, com grande carinho e amor, era uma mulher com aparência frágil e doente, pele muito branca, cabelo liso e prateado, olhos azuis e muito claros, quase brancos, que pareciam brilhar como estrelas no meio da escuridão e neblina que aos poucos era mais forte e já se fazia sentir. Suas roupas eram um vestido branco e prateado, com varias partes de renda cheia de brilhantes.
Elas estavam ao lado de alguns guardas e parecia que todos os Sacerdotes do templo também estavam ali (que curiosamente vestiam também belas túnicas com capuz, mas eram cinza e não completamente negras como a da própria Grande Sacerdotisa), a apreciar o silêncio do anoitecer e a acompanhar a sua grande Soberana e as princesas.

A Rainha olhou a sua visita repentina, e naquele instante sua cara encheu-se imediatamente de felicidade, assim esta mulher levantou-se bruscamente do banco, fazendo as duas pobres crianças caírem no chão, que sem saber o que se passava e atordoadas devido ao sono, ainda enroladas no manto, começaram a olhar para a mãe com cara de mau humoradas. Ela correu em direção a Grande Sacerdotisa e praticamente atirou-se para os seus braços, dando assim um grande abraço cheio de carinho e saudade, era como se ambas fossem amigas de longa data, que ficaram uns bons anos sem se verem uma a outra.

- Minha querida amiga! A quanto tempo? – A soberana parecia realmente bem feliz com a presença e ainda agarradas uma à outra, tentava observar a cara da sua amiga Sacerdotisa por debaixo daquele capuz negro, acariciando com sua mão pálida o rosto da mulher misteriosa.
- Depois conversa-mos, temos que ir para o Circulo, e já! – Disse a Sacerdotisa, ela estava bem nervosa e aparentemente tremia muito.
- Calma! Diz-me o que se passa… - A Rainha tentou acalmar a mulher, levou-a para o banco, e ambas sentaram-se de forma serena, as crianças pareceram ter ficado sem sono depois da queda e ambas levantaram-se, tímidas e bem silenciosas sentaram-se ao lado da mãe, observavam com receio a mulher e suas estranhas vestimentas negras, sentada no outro lado.
- Algo vai acontecer Luana… Vocês tem que fazer o ritual agora! Depois tem que sair daqui e já!
- Minha querida… Nós não nos víamos a tanto tempo… A tantos anos… Acalme-se… Vamos por a conversa em dia… Nem conhecias ainda as minhas filhas… - Disse a Rainha, segurando a mão da Sacerdotisa com carinho e mostrando para ela as duas crianças – E já vi que ainda continuas com o vício de usar esse capuz estúpido, tira isso e mostra a tua linda cara, és uma Sonnure deslumbrante!

A Rainha Luana tentou tirar o capuz da cabeça desta como uma simples brincadeira, mas não conseguiu, suas tentativas eram nulas pois a Sacerdotisa virou a cara para o lado e afastou-se dela, sentando-se ainda mais perto da extremidade do banco e mantendo assim alguma distância da Soberana, ela ficava em silêncio, pensativa, observando as nuvens, a antiga árvore e a escuridão entre as plantas e flores como se estivesse bem alerta de alguma coisa.…

- Então… Estas assim porque… É sobre o inimigo? Ou é outra coisa? Espera… Deixa-se adivinhar… Foi algo que o Ryan disse? Aquele homem gosta muito de ameaças… Possivelmente esta com uns copos a mais… Mas… Não me vias a uns bons anos e é assim que reencontras a tua melhor amiga?
- Desculpa… É que… É uma mistura de tudo isso… - Respondeu a Sacerdotisa calmamente depois de alguns suspiros, com um ar muito triste e cheio de preocupação.

Uma das princesas, a Agnes, aproximou-se calmamente dela, e olhou para a Sacerdotisa mais de perto cheia de curiosidade em seus olhos azuis, parecia não entender o que estava acontecendo e queria saber os motivos por aquela mulher estar tão triste e stressada. A Sacerdotisa ficou a encarar a criança um pouco incomodada, mas depois de algum tempo e por algum motivo misterioso sentiu-se mais confortável, esta acabou endireitando os cabelos dourados da menina, já que a mesma estava toda despenteada devido á anterior queda, a mulher acabou mirando bem os olhos da menina, umas magníficas safiras, e a criança retribuía com o mesmo ato, ela apenas começava a rir de felicidade.
A Rainha sorriu para a sua velha amiga, e esta acabou por dar igualmente um pequeno sorriso para ambas, mas depois de um breve silêncio cheio de trocas de sorrisos, pequenos risos e olhares, a Sacerdotisa voltou a ficar preocupada e com um ar sério, baixou a sua cabeça e encarou o chão cheio de plantas floridas e animais rastejantes que já eram quase invisíveis devido ao clima obscuro.

- Não mudas-te nada… - Comentou a Rainha – Eu vejo debaixo desse capuz a tua tristeza, o teu desejo… Pensas sempre naquele dia… Não é?
- Não é isso… Eu já não sinto dor pelo meu passado… É que… O inimigo está aqui… - A Rainha olhou para a Sacerdotisa com uma expressão de terror, depois abraçou Agnes e Aisha com força, como se quisesse as proteger.
- É impossível! Ninguém nos viu… Ninguém sabe… - Disse a Rainha surpreendida.
- Claro que é impossível! Trazer um monte de gente chique e podre de rica aqui que desaparece de suas casas, a família real inteira sai do palácio de um dia para o outro sem dizer nada… É para não desconfiar! – Disse a Sacerdotisa um pouco irónica, passado algum breve silêncio, ela deu um suspiro e contou para a Rainha a terrível novidade  - O Rei disse que os guardas os viram perto do Circulo… Eu não sei o que eles querem do nosso Circulo… É uma das coisas que mais me preocupa… Por isso temos que fazer o ritual o mais rápido possível…
- É óbvio!… A Dracônia… - Pronunciou a Rainha Luana, que depois levantou-se do banco, a Sacerdotisa fez o mesmo, tal soberana então mandou os guardas e os Sacerdotes que estavam no local se aproximarem dela, depois de alguns sussurros entre eles, esta vira-se para a mulher de capuz negro.
- Vamos fazer esse ritual… Não importa se o Rei nem os outros todos estão aqui… Para este ritual, basta o amor que eu sinto por minhas meninas… - Ela dizia enquanto abraçava com ainda mais força as crianças.
- Eles mesmo assim não iam ser bem vindos em solo sagrado… - Comentou a Sacerdotisa quase murmurando de um modo depressivo.
- Mas antes toma isto! – Disse a Rainha, ela sorriu e tirou de seu bolso um papel, e o entregou de forma solene á outra mulher, esta leu o mesmo - Se algo acontecer… Faz o que esta ai escrito… Prometes?
- Oh não… Eu não posso… Eu não posso aceitar isto… - A Sacerdotisa parecia muito incomodada com o que acabara de ler.
- Vou dar-te um tempo para pensares… Mas fica com o papel na mesma, quando esse algo acontecer podes mudar de ideias, a escolha é sua… - Disse a Rainha sorrindo, a Sacerdotisa olhava para ela confusa e ao mesmo tempo preocupada, mas guardou o papel num dos bolsos de sua túnica negra, afinal, a Rainha de Dreamian, a mulher com mais poder em todo o reino, confiava plenamente nela, e pareceu ter-lhe dado uma promessa extremamente importante, desde tempos antigos, cumprir algo por os Monarcas era uma grande honra que podia gerar uma riqueza inexplicável.

Ambas as mulheres então seguiram um dos caminhos de pedra do jardim, a Sacerdotisa ia em frente, a Rainha e as princesas (ambas bem embrulhadas no manto vermelho) no meio de vários guardas e todos os Sacerdotes atrás por serem aparentemente menos importantes, a névoa era intensa e curiosamente parecia se concentrar cada vez mais no chão a medida que o grupo calmamente andava em direção ao seu destino desconhecido até que a erva e as pedras do caminho acabassem por estar completamente cobertas por aquela névoa misteriosa e assim irreconhecíveis. Aquele pequeno grupo avançava muito cuidadoso, era o adequado pois tinham que ter muita cautela naquele ambiente das trevas.

- Não vale a pena… É tarde demais… - Pronunciou uma voz, era Raymond que acompanhado por inúmeros guardas feridos voltava da vigília, aparecendo de repente, vindos do meio do nevoeiro e escuridão entre as árvores, mesmo em frente a Sacerdotisa.
- O que aconteceu? – Perguntou a Sacerdotisa bem preocupada.
- O Circulo… Não vale mais a pena… - Comentou calmamente enquanto mostrou a Sacerdotisa uns destroços estranhos que alguns dos seus guardas traziam nos braços, estes os colocaram no chão coberto de névoa, mesmo em frente a ela, sobre seus pés.

A Sacerdotisa observava em choque, era como se o seu mundo naquele instante tivesse desabado completamente. As cores dos fragmentos lembravam a mesma pedra colorida que encontrava-se na maior vitral daquele velho e escuro corredor, pedra segurada por um homem, e por um Dragão.

- Não… A Dracônia… A Dracônia… O poder do meu grande senhor… - A Sacerdotisa ajoelhou-se perante os restos da pedra, ela não acreditava naquilo que via, lágrimas começaram a escorrer por seu rosto escondido como se de um rio se trata-se.
- Nós fizemos tudo o que pode-mos… Eu lamento… - Comentou o guerreiro, a Rainha Luana ajoelhou-se também e abraçou a amiga para tentar a confortar.
- Estava-mos tão perto e agora… Agora… A nossa crença destruída… Aquilo que eu mais me dediquei ao longo da minha vida inteira… - Com tais palavras, os restantes Sacerdotes também baixaram as suas cabeças extremamente tristes e dando um sinal de grande respeito, também aproximaram-se dos destroços com calma e muita perturbação.

Não era uma pedra qualquer, era uma Dracônia, mesmo ali no chão rodeada por nevoeiro, toda quebrada, reza as lendas que estas jóias nasciam no corpo dos Dragões e que continham grande poder e propriedades mágicas, eram incrivelmente valiosas e poderosas, mas aquela, aquela era muito diferente, era especial, foi trazida à terra pelo próprio Ahaiakaz, que para aqueles Sacerdotes era um Deus, um grande Pai… Esta também era a pedra dos Guardiões de Dreamian, os supostos grandes heróis que viveram no reino em eras antigas, fora uma pedra passada de mãos em mãos de grandes Heróis e Monarcas durante séculos e que sempre brilhava intensamente, transmitindo sua lendária sabedoria e poder, mas que agora, neste preciso momento, estava mesmo ali, completamente destruída. Quando alguém ataca uma religião, é sinal de início de uma grande guerra…

De repente foi visível algumas sombras e ruídos estranhos no meio do silêncio entre as árvores, e bem alertas, rapidamente, os Sacerdotes rodearam a sua Grande Sacerdotisa e a Rainha e concentravam suas energias para estarem prontos em usar seus misteriosos poderes mágicos, os Guardas afastaram-se e foram para perto das árvores, bem atentos rodeando o local e, em silêncio, observavam a névoa e escuridão entre a vegetação densa…

Naquele instante uma pessoa baixa, parecia uma criança mascarada com umas estranhas vestes negras, em passos silenciosos, apareceu do nada, rodeado pela névoa misteriosa, com seus olhos vermelhos observava parado aquele grupo de pessoas, o General Raymond preparava-se para atacar, junto com os restantes Guardas que já estavam prontos segurando suas armas firmemente nas mãos. A Grande Sacerdotisa abraçou a Rainha e as princesas, estas que bem assustadas e confusas, não sabiam o que estava a acontecer, permaneceram imóveis… A Grande Sacerdotisa pronunciou olhando para a Rainha as seguintes palavras de forma baixa, com alguma frieza, passando a mão sobre o rosto da mulher pálida, a voz dela tremia:

- Eles estão em todo o lado… Eles não estão só aqui… Adeus minha querida…

Os guerreiros e os magos atacaram, mas aquela criança silenciosa afastava-se dos vários golpes com leveza, eram tantos contra um só, e esse um só dominava como uma verdadeira sombra, rapidamente ele saltou por entre os guardas e Sacerdotes, podia ser jovem mas era bem experiente e rápido em desviar-se, ele ergueu sua espada, uma espada quase maior do que seu corpo, mas o mesmo conseguia manobrar com uma experiencia incrível, e num piscar de olhos apareceu mesmo em frente á Rainha, Grande Sacerdotisa e princesas.
Encarou-as uns segundos, e as mesmas olhavam com pavor para os seus brilhantes olhos vermelhos, abraçaram-se umas as outras com ainda mais força e medo, tremiam muito e fecharam seus olhos, esperando o seu destino, o misterioso jovem preparou-se para dar um golpe fatal, os guardas e Sacerdotes viraram-se para ele e em pânico tentaram proteger as mulheres e princesas com tudo o que se lembraram naqueles breves instantes de fazer utilizando todas as suas capacidades.

Mas de forma impressionante… Foi tarde demais…


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Antiguidades - Comendo Gelado

6 de dezembro de 2017 |

Arte digital feita no tempo em que eu não sabia o que fazer com estas criaturas e queria que elas fossem um género de seres humanoides. Inicialmente, os Dreamurs eram criaturas independentes de qualquer uma das minhas histórias, eu não sabia o que fazer com a ideia na altura. Data de criação desconhecida (possivelmente 2014 ou 2015).
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Antiguidades - Reflexo na água

6 de dezembro de 2017 |

Um desenho realizado quando eu ainda não sabia usar bem o Paint Tool Sai (o principal programa de pintura digital que utilizo) ou seja, para ai em 2013/2014. Nesse desenho também estava a testar algumas texturas do programa e a praticar o desenho de nuvens e fundos sem recorrer a imagens e montagens com coisas da Internet.

Foi o primeiro desenho relacionado com Dreamian que eu decidi criar como arte digital.
Rascunho original
Imagens sem fundo/versão para  montagens.

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Antiguidades - Shin'ichi

6 de dezembro de 2017 |

Este foi o primeiro desenho do dragão Shin'ichi na sua mais recente  versão com pelo e penas, pois antes este dragão era uma criatura apenas com escamas.

Rascunho original, este apresentava uma imagem de fundo e outro Dragão da mesma raça, como não gostei do resultado decidi reutilizar a imagem para a versão mostrada anteriormente.
Desenhos feitos em finais de 2014 ou inícios de 2015.
Imagem original (não foi limpa com programas digitais)

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Antiguidades - Versão Original dos Dreamurs

6 de dezembro de 2017 |

Desenho de um Dreamur feito em 2012, na sua aparência inicial, como uma simples bola de pelo. Mais tarde, revi o desenho inicial da criatura, e a transformei no animal que é hoje.

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As Espécies Humanas - Artigos Informativos

6 de dezembro de 2017 | ,


No reino de Dreamian, tal como em qualquer outro universo de fantasia, existe as chamadas Espécies Humanas, também tituladas/mais conhecidas por Raças Humanas, ou, simplesmente, Raças, como um dos termos mais comuns dos universos de Fantasia.
São grupos de seres muito diferentes entre si e que convivem/governam o mesmo mundo, cada Espécie possui sua própria história, cultura e crenças além de habilidades e estatísticas mágicas próprias entre outras características peculiares, apesar das mesmas, por vezes, variarem de individuo a individuo dentro de cada comunidade.

A maioria das Espécies Humanas tem uma aparência repleta de detalhes animalescos, mas é importante realçar que ao contrário dos animais comuns, estes seres são dotados de uma grande inteligência racional o que possibilita comportamentos e pensamentos iguais ou muito próximos aos dos típicos Humanos. O mais importante é que todos eles, de modo geral, seguem um estilho de corpo humanoide.
Tal como os Humanos, que, como exemplo, podem contar com uma tonalidade de pele mais negra ou mais clara de acordo com o local onde vivem, cada uma destas Espécies Humanas também conta com variações no corpo, desde cores, padrões, e até mesmo membros extra e outras aparências mais complicadas, estas variações são conhecidas por Raças ou Sub-Espécies.

Neste universo existem 8 Espécies Humanas principais, porém, é possível encontrar outras, mas estas são mais raras, ou até mesmo pertencem a alguma crença religiosa e desse modo, podem contar com pouco destaque ou importância ao longo das páginas do livro. Curiosamente, as raças mais comuns no reino de Dreamian são os Humanos e Sonnures, os Sonnures por vezes até conseguem ser ainda mais influentes do que os Humanos em determinadas áreas do reino.

Apesar das grandes diferenças entre si, é possível o cruzamento entre duas ou mais Espécies Humanas diferentes, possibilitando assim o nascimento dos famosos Híbridos, estes são considerados uma Espécie Humana ou grupo Étnico menor pois são extremamente raros e muitas vezes recebem imenso preconceito na sociedade, em alguns casos até mesmo perseguidos e maltratados.


~~~~Espécies Humanas principais~~~~
Por questões lógicas, os Humanos não constam na seguinte lista, a mesma foca-se apenas nas restantes 7 Espécies Humanas que podem ser encontradas ''facilmente'' no reino.

Sonnures
Telquines
Kinnaras
Chingkas
Ningyos
Cuckoos
Reherfes


~~~~Espécies Humanas menores~~~~
Aquelas que não recebem grande destaque, ou que, por alguma razão, foram referidas brevemente ao longo da obra. Na seguinte lista, somente os Híbridos mantém certa influencia, mas são considerados menores pela sua raridade e poucas aparências, além de muitas rejeições, na sociedade.

Híbridos
?????
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Antiguidades - O espelho de Ahaiakaz

4 de dezembro de 2017 |

Um Espelho, apenas um Espelho simples, comum, negro, um pouco gótico, assustador com relação a um Deus.... Originalmente, teria um papel fundamental na obra, mas decidi remover porque não sabia exatamente como introduzir esta bela peça na trama, e novas ideias surgiram no lugar.
Por agora, a imagem ficará aqui arquivada, e futuramente, procurarei um bom buraco para utilizar este objeto na obra ou em algum especial (o que é o mais provável). O desenho em si é antigo, fiz em 2014/2015, acho eu.

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Antiguidades - Equipamentos de Batalha

4 de dezembro de 2017 |

Os seguintes desenhos demonstram as personagens em ''modo de batalha''. Alguns ainda se mantém na categoria das Artworks oficiais nas fichas das personagens, outros decidi remover, simplesmente, pois as ideias já não me agradavam e achei o traço muito mal estruturado.
Desenhei isto quando ainda estava numa fase bem inicial da obra, o objetivo era todas as personagens terem um papel fundamental numa luta. Mais tarde, mudei meus pensamentos. Afinal, numa história de fantasia não existe a necessidade de TODAS as personagens andarem por ai a dar murros na cara uns dos outros, soltarem fogo e poderes mágicos do rabo, e a partir dentes.

Pretendo redesenhar os equipamentos que ''ainda se aproveitam'' futuramente, e substituir as fichas das personagens com as novas versões.

A ideia dos equipamentos da Agnes e da Silvia foram as principais vitimas ''para o lixo'', as restantes, ainda mantenho certas duvidas. Muitos são ideias ou contém ideias descartadas, simplesmente.


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O significado de Era uma vez...- Palavras Apagadas da Fortaleza do Morfolixo

4 de dezembro de 2017 |


Foi com estas frases que eu quis começar a história dos Guardiões de Dreamian. Este excerto pertencia ao inicio do Prólogo, na altura não tinha grandes ideias mas achei interessante introduzir tudo o que se iria iniciar na trama com este pequeno assunto.
Mais tarde decidi remover, achei que estava a ''encher linguiça'', e também preferi que a obra seguisse uma introdução de alguma outra forma. Basicamente, não existia necessidade ou lógica para um ''Era uma vez''. Também considerei esta descrição mal pensada ou organizada.

Como eu gostava bastante destas frases, não quis apagar simplesmente, decidi guardar e publicar no blog, e isto é o que eu vou fazer com muitas outras coisas ''boas'' que não tem lugar nas linhas do Word.

O significado de 
Era uma vez…
Talvez as doces palavras ''Era uma vez'' não são as mais adequadas para iniciar esta história, tal encantadora frase é geralmente o tão habitual começo dos grandes contos de fadas, histórias que muitas vezes defendem o domínio do bem no mundo, que mostram as etapas da vida, que ensinam a lutar contra os medos, a acabar com conflitos, a mostrar como alcançar os nossos sonhos, enfrentar obstáculos, lidar com o mundo que nos rodeia...
   E será que esta história é um conto de fadas? Todas aquelas características na verdade não definem o que é um conto de fadas, pois ao analisar profundamente aquilo que lemos, aquelas situações que ouvimos ou vemos, notamos que quase todas as histórias contém esses detalhes importantes em suas tramas, desse modo todas as histórias que conhecemos são contos de fadas, pois todas de alguma maneira nos fazem sonhar, através delas aprendemos, conhecemos, imaginamos, através delas estamos a viver o mais importante depois de tudo, a fantasia.
   E assim podemos dizer claramente que Os Guardiões de Dreamian são um conto de fadas, tal como todas as histórias que sempre vemos e que nos fazem sonhar, mas esta pequena história é muito diferente dos habituais ''Era uma vez…''.
Mesmo assim, que tudo começa com estas palavras... Então...

Era uma vez...

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